O olho do teu bebé está sempre húmido? Acumula secreção nos cantos, mesmo quando não está a chorar? Pode ser uma obstrução do canal nasolagrimal — a patologia lagrimal mais frequente nos primeiros meses de vida. O que é a obstrução do canal nasolagrimal? {#definicao} A obstrução do canal nasolagrimal é a patologia mais frequente do aparelho lagrimal em recém-nascidos e lactentes. Significa que o canal responsável por conduzir as lágrimas do olho até à cavidade nasal se encontra bloqueado, de forma total ou parcial, impedindo a drenagem normal. Estima-se que afeta entre 5 a 6% dos recém-nascidos, embora alguns autores apontem para uma prevalência de até 20% durante o primeiro ano de vida. Na maioria dos casos — cerca de 80 a 90% — os sintomas surgem antes do primeiro mês de idade. É importante não confundir com uma conjuntivite simples. Aqui, o problema não está no olho em si, mas no sistema de drenagem lagrimal. Como saber se o meu bebé tem o canal nasolagrimal obstruído? {#sintomas} Os pais podem fazer uma primeira observação em casa. Os sinais mais comuns são: Um dos olhos está sempre húmido, mesmo fora de momentos de choro — sobretudo quando a obstrução é unilateral. A narina do lado afetado não se humedece quando o bebé chora — o que indica que as lágrimas não estão a percorrer o canal até à cavidade nasal. Acumulação de secreção nos cantos dos olhos com aspeto pastoso, por vezes com ligeira supuração ou episódios recorrentes de conjuntivite. A boa notícia é que esta patologia tem uma taxa de resolução espontânea considerável por volta dos 12 meses de vida, à medida que o sistema de drenagem matura ou a membrana que selava o canal se abre naturalmente. No entanto, a resolução é significativamente mais rápida e eficaz com abordagem osteopática — especialmente quando existe uma obstrução parcial ou quando o parto teve alguma complexidade que possa ter afetado a dinâmica craniana do recém-nascido. O que provoca a obstrução do canal nasolagrimal? {#causas} As lágrimas percorrem um trajeto desde a parte súpero-externa do olho até à cavidade nasal, através do canal nasolagrimal. Este canal discorre entre o ponto lagrimal — a abertura no ângulo interno do olho — e o meato nasal inferior. Gran parte desse percurso ocorre no interior do osso lacrimal (unguis), mas o canal ósseo é formado também pelo maxilar e pelo corneto inferior. Do ponto de vista estrutural, o canal está constituído: Na parte anterior pela rama vertical descendente do osso frontal; na parte posterior pela face anterior da rama vertical ascendente do maxilar; e na face interna pelo osso lacrimal. É, portanto, um canal formado pela articulação de vários ossos, revestido por um saco epitelial de consistência gelatinosa que permite o deslizamento da lágrima. Quando esta abertura se encontra obstruída — por não estar completamente formada ao nascimento, por estar coberta por uma fina membrana ou por alterações na dinâmica dos ossos que constituem o canal — as lágrimas acumulam-se e derramam-se pela face mesmo que o bebé não esteja a chorar. Em alguns casos, pode observar-se também um aumento da vascularização do plexo vascular ao redor do saco lagrimal, com as veias da zona periocular e nasal mais dilatadas e visíveis. Tratamento osteopático da obstrução do canal nasolagrimal {#tratamento} O tratamento médico convencional passa habitualmente pelo uso de antibióticos tópicos, colírios e normas de higiene ocular. Em casos de maior gravidade e após períodos prolongados de evolução, pode ser necessária intervenção cirúrgica — um procedimento que, embora de baixo risco, é desconfortável tanto para o bebé como para a família. A osteopatia pediátrica oferece uma alternativa eficaz, especialmente em fases iniciais e em obstruções parciais. O raciocínio osteopático parte de uma pergunta simples: se o canal nasolagrimal é formado pela articulação de vários ossos cranianos, qualquer alteração na mobilidade ou dinâmica desses ossos pode comprometer o correto funcionamento do canal. O parto — especialmente quando prolongado, instrumentalizado com ventosa ou fórceps, ou com apresentação irregular — pode gerar compressões e restrições de mobilidade nas suturas cranianas do recém-nascido que, por sua vez, afetam o território nasolagrimal. A avaliação osteopática pediátrica permitirá identificar: Restrições de mobilidade nos ossos que formam o canal (lacrimal, maxilar, frontal, corneto inferior) e nas suturas cranianas relacionadas. Padrões de tensão membranosa na dura-máter que possam estar a comprimir estruturas adjacentes. Disfunções do sacro e da base do crânio relacionadas com o mecanismo respiratório primário. O tratamento recorre a técnicas osteopáticas suaves e específicas, totalmente adaptadas ao sistema musculoesquelético do recém-nascido, sem qualquer manipulação brusca. O objetivo é restaurar a mobilidade articular e membranosa da região craniana, permitindo que o canal nasolagrimal recupere o seu funcionamento normal. Quando devo levar o meu bebé a um osteópata pediátrico? {#quando} Quanto mais cedo, melhor. O sistema craniano do recém-nascido é altamente adaptável nas primeiras semanas de vida, o que torna a intervenção precoce especialmente eficaz. Considera consultar um osteópata pediátrico se: A osteopatia pediátrica não substitui o acompanhamento médico — trabalha em complementaridade com ele. O ideal é que a família conte com uma equipa multidisciplinar que inclua o pediatra, o osteópata e, quando necessário, o oftalmologista. Quer aprofundar o teu conhecimento em Osteopatia Pediátrica? A obstrução do canal nasolagrimal é apenas um exemplo da complexidade — e da riqueza clínica — que o trabalho com a população pediátrica oferece ao profissional de saúde. Se és fisioterapeuta ou osteópata e sentes que queres desenvolver esta área na tua prática clínica, o Pós-Graduado em Osteopatia Pediátrica da EOM em Lisboa foi criado para ti. 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