A interação entre os sistemas visceral e músculo-esquelético tem sido objeto de crescente interesse na área da saúde, especialmente nas abordagens integrativas como a osteopatia, fisioterapia manual e medicina integrativa. Disfunções viscerais — alterações na mobilidade, motilidade ou na função dos órgãos internos — podem influenciar diretamente na biomecânica e no equilíbrio muscular do corpo, gerando ou perpetuando quadros de dor músculo-esquelética.
Essa relação ocorre por meio de conexões neurológicas e biomecânicas. Do ponto de vista neurológico, os órgãos viscerais compartilham inervações com estruturas músculo-esqueléticas através do sistema nervoso autônomo e das raízes nervosas espinhais. Quando um órgão apresenta uma disfunção, sinais aferentes podem sensibilizar segmentos da medula espinhal, levando a uma resposta reflexa em músculos, articulações e fáscias da mesma região. Esse fenômeno é conhecido como facilitação medular.
Além disso, aderências viscerais ou alterações na mobilidade dos órgãos podem gerar tensões mecânicas que se transmitem aos músculos e estruturas vizinhas, interferindo na postura e nos padrões de movimento. Por exemplo, disfunções no fígado ou estômago podem estar associadas a dores cervicais ou dorsais, enquanto alterações intestinais podem se relacionar com lombalgias ou dores pélvicas.
Portanto, uma avaliação abrangente da dor músculo-esquelética deve considerar não apenas fatores estruturais e mecânicos, mas também possíveis influências viscerais. A abordagem terapêutica que integra a liberação de tensões viscerais pode contribuir significativamente para a melhora da dor, da função e da qualidade de vida do paciente.
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